Teste de MX e STARTTLS
O e-mail enviado ao seu domínio atravessa a internet entre dois servidores, e a criptografia nesse trecho é opcional por natureza. Este teste bate à porta de cada um dos seus servidores de entrada e mostra o que um remetente receberia.
Como uma mensagem encontra o seu servidor
Quando alguém escreve para anna@example.com, o servidor de e-mail dessa pessoa consulta os registros MX de example.com. Cada registro indica um servidor e lhe dá um número. O menor número é tentado primeiro e os outros servem de reserva. O servidor remetente então abre uma conexão na porta 25 e as duas máquinas conversam em SMTP, um protocolo de 1982 que envia tudo como texto legível.
A criptografia veio depois, como uma melhoria dentro da mesma conversa. O servidor que recebe lista STARTTLS entre os seus recursos, o remetente responde com a mesma palavra e, a partir daí, a sessão é protegida por TLS, a tecnologia por trás do HTTPS. Se a palavra não estiver na lista, a mensagem viaja sem criptografia.
O que o teste faz na porta 25
Para até cinco servidores MX, em ordem de prioridade, ele resolve o primeiro endereço IPv4 e encena o início de uma entrega:
S: 220 mx1.example.com ESMTP C: EHLO <our server> S: 250-mx1.example.com S: 250-SIZE 52428800 S: 250 STARTTLS C: STARTTLS S: 220 Ready to start TLS (TLS handshake, certificate read) C: QUIT
E para por aí. Nunca informa remetente, destinatário nem mensagem. Do handshake, ele anota a versão de TLS, a cifra, o emissor e a data de validade do certificado, se o certificado cita o host MX e se a cadeia leva a uma autoridade confiável.
Em seguida, procura dois registros DNS e um arquivo: o registro TXT em _mta-sts, a política em https://mta-sts.example.com/.well-known/mta-sts.txt e o registro TXT em _smtp._tls.
Lendo os quatro blocos
- Servidores
- Quantos hosts MX responderam à conexão. Um servidor de reserva mudo gera um alerta. Se nenhum responder, os remetentes deixam o seu e-mail na fila e o devolvem depois de alguns dias.
- Criptografia
- “Parcial” quer dizer que pelo menos um servidor acessível não concluiu o STARTTLS. É a única constatação aqui que deixa o resultado inteiro vermelho enquanto o e-mail continua chegando.
- Certificados
- “Revisar” cobre um certificado vencido, um autoassinado ou um emitido para outro nome. TLS 1.0 e 1.1 são marcados à parte como ultrapassados.
- MTA-STS
- Mostra o modo encontrado no arquivo de política:
enforce,testingounone. Fica vermelho quando o registro DNS existe mas o arquivo não pode ser baixado, não tem a linha de modo ou deixa de fora um dos seus hosts MX.
Um domínio sem MX, ou com o registro “null MX” 0 ., é indicado como um domínio que não recebe e-mail. Para um domínio que só serve um site, essa é uma configuração válida.
Por que um certificado ruim ainda recebe e-mail, e como o MTA-STS muda isso
O STARTTLS puro é oportunista. A maioria dos remetentes criptografa quando pode e não verifica o certificado. Então quem controla o caminho na rede pode apagar a linha STARTTLS da resposta e ler tudo. O MTA-STS fecha esse buraco. Você publica, por HTTPS, a lista dos seus hosts MX e a regra de que eles precisam apresentar um certificado válido. O Gmail e o Outlook.com aplicam essa regra quando enviam para você.
O arquivo de política tem quatro linhas:
version: STSv1 mode: testing mx: mx1.example.com max_age: 604800
Sirva-o a partir do subdomínio mta-sts com um certificado HTTPS válido e depois acrescente dois registros TXT:
_mta-sts.example.com. TXT "v=STSv1; id=20260115" _smtp._tls.example.com. TXT "v=TLSRPTv1; rua=mailto:tls-reports@example.com"
Fique em testing até que os relatórios diários TLS-RPT voltem sem falhas, depois passe para enforce e mude o valor de id para que os remetentes recarreguem a política. Em e-mail hospedado, como Google Workspace ou Microsoft 365, os certificados dos MX são responsabilidade do provedor. A política é a única parte que você precisa publicar.
O teste fala a partir de um único servidor, por IPv4, com o primeiro endereço de cada MX. Não verifica DANE (registros TLSA), entrega por IPv6, filtragem de spam nem se uma determinada caixa de e-mail existe. Um servidor de e-mail que limita quem ele não conhece pode nos recusar e ainda assim aceitar remetentes reais.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre STARTTLS e SSL/TLS na porta 465?
A porta 25 entre servidores sempre começa sem criptografia e passa para criptografado com o comando STARTTLS. A porta 465 é criptografada desde o primeiro byte. Os programas de e-mail a usam para enviar mensagens ao próprio provedor, e ela nunca é usada entre provedores. A porta 587 também é para programas de e-mail e usa STARTTLS.
O e-mail é criptografado em trânsito por padrão?
Geralmente, mas nada garante. Os grandes provedores dizem que bem mais de 90% do e-mail entre servidores usa TLS. Cada salto decide por si, e sem MTA-STS ou DANE um remetente volta ao texto aberto quando a criptografia não é oferecida.
Preciso de um certificado de uma autoridade pública no meu servidor de e-mail?
O e-mail continua chegando com um certificado autoassinado, porque a maioria dos remetentes não o verifica. Você vai precisar de um certificado confiável que cite o host MX assim que publicar o MTA-STS em modo enforce. Com o Let’s Encrypt, não custa nada.
Quantos registros MX um domínio deve ter?
Um basta quando aponta para um provedor que mantém várias máquinas por trás do nome. Se você mantém o seu próprio servidor, dois ou mais dão uma reserva. Um MX de reserva com filtragem de spam mais fraca é uma porta dos fundos conhecida, então mantenha todos os MX no mesmo nível de proteção.
Por que o teste diz que um servidor está inacessível se eu recebo e-mail?
O servidor pode demorar para responder (desistimos da conexão depois de 8 segundos), pode limitar hosts desconhecidos ou pode ter só um endereço IPv6. Confira o nome do MX com uma consulta de registros DNS e tente de novo em alguns minutos.